Mais preocupante ainda é perceber que esta crise não acontece por falta de água.
Portugal atravessa uma situação de elevada disponibilidade hídrica. Os investimentos realizados ao longo dos últimos anos nas infraestruturas de abastecimento e as chuvas que afetaram o país, permitem hoje garantir níveis de segurança que, em condições normais, afastam cenários desta natureza. Quando um município chega ao ponto de decretar situação de alerta, o problema dificilmente está no recurso. Está na gestão.
Há não muito tempo, o Partido Socialista de Cascais apresentou uma proposta para a reorganização da gestão do abastecimento de água assente num modelo idêntico ao que hoje vigora em Almada. Felizmente para os cascalenses, essa proposta foi recusada pelo PSD que governa o município.
A decisão revelou-se acertada. Os serviços públicos essenciais não são espaços para experiências administrativas e alterações estruturais cuja eficácia nem sempre está demonstrada. Os serviços, como o abastecimento de água, por exemplo, exigem prudência, estabilidade, competência técnica e uma gestão focada na continuidade do serviço.
Foi essa segunda visão que prevaleceu em Cascais.
O PSD recusou alterar um modelo que, apesar de algumas falhas, funciona, que tem assegurado elevados níveis de fiabilidade e que responde às necessidades da população. Hoje, olhando para o que sucede em Almada, é impossível não concluir que essa foi uma decisão responsável.
Os munícipes de Almada estão hoje a pagar o preço de opções que se revelaram incapazes de garantir um abastecimento normal.
Se Cascais tivesse seguido o caminho proposto pelo Partido Socialista, corria hoje o risco de enfrentar dificuldades semelhantes às que afetam milhares de famílias em Almada.
Felizmente, quem lidera a autarquia disse "não", e essa rejeição, nos últimos dias, com elevadas temperaturas, tinha causado um verdadeiro caos na vida dos cascalences e afetado milhares de negócios.


