É verdade que o concelho tem este ano menos praias distinguidas com a Bandeira Azul. Mas uma coisa é haver menos bandeiras hasteadas, outra, bem diferente, é afirmar que Cascais perdeu o galardão por incumprimento dos critérios exigidos.
A distinção Bandeira Azul depende de uma candidatura apresentada pelo promotor de cada praia. Não é um prémio atribuído automaticamente, nem um direito adquirido. Se uma praia não é candidata, naturalmente não pode ser distinguida.
Foi precisamente isso que aconteceu em Cascais.
Algumas praias do concelho encontram-se a ser alvo de importantes intervenções, nomeadamente ao nível da estabilização e segurança das arribas. Perante essa realidade, a autarquia optou por não apresentar candidatura dessas praias ao programa Bandeira Azul durante esta época balnear. Trata-se de uma decisão de prudência e responsabilidade, que evita candidatar praias que estão temporariamente condicionadas por obras destinadas precisamente a melhorar as condições de segurança e preservação ambiental.
Confundir esta opção com uma alegada "perda" de Bandeiras Azuis é, no mínimo, uma simplificação abusiva. No máximo, é uma tentativa deliberada de criar uma narrativa política que não resiste aos factos.
Importa recordar que o Programa Bandeira Azul avalia critérios exigentes relacionados com a qualidade da água, gestão ambiental, segurança, serviços e educação ambiental. Uma praia que não é candidata não foi reprovada; simplesmente não entrou no processo de avaliação desse ano.
Por isso, quem afirma que Cascais perdeu Bandeiras Azuis está a induzir os cidadãos em erro. O número de bandeiras diminuiu porque diminuiu o número de candidaturas, não porque o concelho tenha deixado de cumprir os critérios ambientais ou de qualidade exigidos pelo programa.
Mais, quando as intervenções atualmente em curso estiverem concluídas, tudo indica que essas praias voltarão a reunir condições para serem novamente candidatas. Se isso acontecer, é expectável que o número de Bandeiras Azuis em Cascais volte a aumentar já na próxima época balnear.
Nessa altura será interessante verificar se aqueles que hoje proclamam, com grande convicção, que Cascais "perdeu" Bandeiras Azuis terão a mesma disponibilidade para reconhecer que nunca as perdeu verdadeiramente. Porque, em política, a crítica é legítima. Mas também deveria ser obrigatório respeitar a diferença entre um facto e uma narrativa.



