Miguel Costa Matos apostou tudo em Ricardo Pires e perdeu. Perdeu para João Ruivo, precisamente o vereador que liderou o PS ao pior resultado autárquico de sempre no concelho. Se nem esse histórico afastou os militantes da candidatura vencedora, então a influência política do deputado revelou-se muito mais reduzida do que a imagem que tem procurado projetar.
Durante demasiado tempo, Costa Matos cultivou a imagem de quem falava de cima para baixo dentro do partido. A postura arrogante era a de quem parecia acreditar que a sua palavra bastava para definir o rumo do PS em Cascais, como se a autoridade política se decretasse e não tivesse de ser conquistada. A eleição interna mostrou, porém, uma realidade bem diferente. Quando chegou o momento decisivo, a influência que parecia tão sólida revelou-se surpreendentemente frágil.
O resultado desmonta uma narrativa que vinha sendo cuidadosamente construída. Durante anos, Miguel Costa Matos multiplicou aparições televisivas, cultivou uma imagem de jovem promessa do Partido Socialista e alimentou a percepção de que seria um nome incontornável para disputar a Câmara de Cascais. Mas quando chegou o momento de contar votos, os únicos que realmente contam em política, e a realidade revelou-se bastante menos impressionante.
Costa Matos e o seu grupo de militantes, somados, valem pouco mais do que 60 votos. Um resultado ridículo que convida a uma reflexão séria sobre a verdadeira dimensão do seu capital político.
A política tem destas ironias. Há quem se julgue um gigante enquanto as câmaras estão ligadas e descubra, quando se fecham as urnas, que a sua capacidade de mobilização é bastante mais modesta.
Esta derrota é, por isso, mais do que um simples contratempo interno. É um banho de humildade. É um teste político falhado para quem ambiciona liderar o PS em Cascais e, eventualmente, apresentar-se aos cascalenses como alternativa de governo local.
Fica uma pergunta inevitável. Se Costa Matos não conseguiu convencer os militantes do seu próprio partido, porque haverão os cascalenses de acreditar no socialista residente em Loures?
Os leitores tirarão as suas conclusões.


