A Assembleia Municipal de Cascais é um órgão democrático que merece respeito. É o espaço onde os representantes eleitos pelos cidadãos discutem propostas, fiscalizam a ação do executivo e dão voz às diferentes sensibilidades políticas do concelho. Quem ali ocupa um lugar deve fazê-lo com sentido institucional, preparação e responsabilidade.
Compreendemos que, nos últimos anos, alguns deputados municipais não tenham sabido estar à altura dessa exigência. Uns porque nunca se deram ao trabalho de conhecer devidamente o regimento, outros porque não estudam as propostas que vão discutir, outros ainda porque reduzem o exercício do mandato ao simples aparecer, sentar e marcar presença. Tudo isso já representa um empobrecimento preocupante da qualidade democrática.
Mas há um limite que não pode ser ultrapassado.
Não é tolerável transformar a Assembleia Municipal num palco de ataques pessoais, de agressividade verbal e de má criação. Não é aceitável fazer de um órgão democrático um circo político onde o insulto substitui o argumento e a arrogância tenta ocupar o lugar do debate sério.
Miguel Costa Matos não é um qualquer, e sabe disso. É deputado da Assembleia da República, uma das vozes mais destacadas do Partido Socialista, tanto a nível local como nacional. Tem responsabilidades acrescidas precisamente por ocupar o espaço político que ocupa. E tem também um dever especial de exemplo.
Sendo um jovem político, representa igualmente uma geração tantas vezes acusada, de forma injusta ou não, de ser desprovida de valores, de respeito institucional e de cultura democrática. A melhor forma de contrariar esse preconceito seria através da postura, da elevação e do respeito pelos adversários políticos. Infelizmente, o comportamento demonstrado vai no sentido contrário.
Na democracia há sempre vários lados. Há divergências profundas, há visões opostas para o país e para os municípios, há conflitos ideológicos naturais e saudáveis. Mas todos os lados democráticos são toleráveis e merecedores de respeito. É precisamente essa capacidade de coexistência que distingue a democracia do extremismo e da intolerância.
Por isso, os termos utilizados por Miguel Costa Matos para se dirigir às bancadas adversárias não são apenas deselegantes. São profundamente antidemocráticos. Porque quando se desumaniza ou ridiculariza quem pensa diferente, deixa de existir debate democrático e passa a existir apenas arrogância política. Para além disso, não pode cair na incoerência de acusar uns na AR de serem arruaceiros e desordeiros durante o dia e, à noite, na AM, ter um comportamento absolutamente igual ou pior.
Miguel Costa Matos ainda tem muito para crescer e aprender, apesar de talvez ainda não ter consciência disso. A maturidade política não se mede pelo mediatismo, pelos cargos ocupados ou pela facilidade em produzir frases para redes sociais. Mede-se pela capacidade de respeitar instituições, adversários e cidadãos, mesmo quando deles discordamos profundamente.
E é precisamente isso que se espera de quem representa Portugal e Cascais.
