29/05/26

Editorial: A Associação Sufocar Nos Comentários de Cascais

Há fenómenos curiosos na política local. Um deles é o aparecimento de verdadeiras patrulhas digitais que, de comentário em comentário, de publicação em publicação, parecem assumir a missão sagrada de vigiar tudo o que se escreve, tudo o que se pensa e tudo o que se ousa questionar.

Em Cascais, esse papel parece ter sido assumido pela Associação Respirar Cascais.

Não sabemos quem gere a conta. Nem temos interesse em saber. Aliás, ficamos sinceramente satisfeitos por ver que acompanham atentamente o Cascais em Reflexão, que nos leem com regularidade e que fazem questão de marcar presença nas nossas publicações. A dedicação é notável.

O problema começa quando uma associação que escolheu “Respirar” como identidade aparenta ter uma preocupação constante em abafar opiniões divergentes, corrigir comentários alheios e agir como guardião informal da verdade absoluta, sobretudo quando essa verdade coincide, quase sempre, com os interesses e a narrativa do grupo político de João Maria Jonet.

Há uma diferença entre participar no debate público e tentar condicioná-lo. Entre discordar e patrulhar. Entre argumentar e insinuar que qualquer crítica representa ignorância, má-fé ou falta de elevação moral.

A superioridade com que frequentemente se apresentam diz mais sobre eles do que sobre aqueles que pretendem silenciar. Porque quando alguém acredita ter o monopólio da virtude, da inteligência e da legitimidade democrática, normalmente já deixou de ouvir os outros há muito tempo.

O espaço público não pertence a iluminados nem a fiscais de opinião. Pertence a todos. Inclusive aos que discordam.

E talvez fosse importante recordar uma coisa simples: respirar implica liberdade. Não controlo.