Há muitas formas de estar na política. Algumas dignificam a democracia, outras contribuem para a sua degradação. E há aquelas que, pela falta de princípios, pela leviandade e pelo desprezo que demonstram pelo debate público, representam o que de mais reles se pode encontrar na vida política.
António Pinto Pereira é, na nossa perspectiva, um exemplo particularmente elucidativo desta última forma de estar.
A sua trajetória partidária, marcada por entradas, saídas, candidaturas por diferentes forças políticas e regressos a estruturas das quais anteriormente se afastou, suscita legítimas interrogações sobre a consistência dos princípios que orientam a sua intervenção política. Naturalmente, a forma como cada um se relaciona com a democracia interna dos partidos a que pertence é uma questão que lhe diz respeito. Mas não deixa de ser um indicador relevante quando se procura compreender a conceção que alguém tem da política e dos seus próprios objetivos.
Mas é na sua atuação nas redes sociais que António Pinto Pereira atinge, na nossa opinião, os níveis mais preocupantes de degradação do discurso político.
Aquilo a que temos assistido é uma verdadeira pocilga política. Um espaço onde a insinuação substitui o argumento, onde a suspeita se sobrepõe aos factos e onde o ataque pessoal parece constituir o principal instrumento de intervenção. Uma forma de fazer política que, infelizmente, desde que decidiu centrar a sua atividade em Cascais, passou também a contaminar o debate público no nosso concelho.
O episódio relacionado com a reportagem da SIC sobre um alegado esquema fraudulento envolvendo habitações acessíveis financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) é particularmente revelador.
Perante o anúncio de uma peça jornalística, que apenas dava nota de um esquema fraudulento envolvendo habitações de renda acessível na grande Lisboa, António Pinto Pereira não perdeu tempo. Lançou-se nas redes sociais, acusando a autarquia de Cascais de “trafulhas”, “máfia” e recorrendo a outras insinuações depreciativas, dirigidas à honra e ao caráter de quem governa e de quem trabalha na edilidade.
Tudo isto sem o cuidado elementar de conhecer devidamente os factos.
Posteriormente, a informação divulgada na reportagem permitiu perceber que a autarquia não tinha qualquer envolvimento no alegado esquema. Mais: o próprio mecanismo fraudulento assentaria numa promessa de venda de habitações que, por serem financiadas pelo PRR, não poderiam ser transacionadas nos termos anunciados pelos burlões.
Ou seja, uma situação que exigia prudência, rigor e responsabilidade foi transformada, precipitadamente por Pinto Pereira, numa oportunidade para atacar politicamente o município.
É precisamente aqui que reside a gravidade do comportamento.
Não estamos perante um cidadão anónimo que, num momento de indignação, se excedeu numa publicação. Estamos perante um advogado, professor universitário e antigo candidato à presidência da Câmara Municipal de Cascais. Alguém que, pela sua formação, experiência e posição pública, tem especiais responsabilidades na forma como comunica, interpreta os acontecimentos e contribui para o debate democrático.
Quem tem responsabilidades públicas não pode comportar-se como se a difamação política, a insinuação gratuita e o lançamento de lama fossem ferramentas legítimas de intervenção.
A liberdade de expressão é um dos pilares fundamentais da democracia. Mas não pode ser confundida com a liberdade de acusar sem conhecer, de insinuar sem provar ou de atacar reputações sem assumir as consequências. A crítica política é legítima, necessária e indispensável. O que não é aceitável é transformar essa crítica num exercício permanente de descredibilização pessoal.
Esta forma, recorrente, de estar na política, marcada pela calunia, pelos vídeos truncados, pela agressividade gratuita e pela leviandade na formulação de acusações, tem de ser denunciada.
António Pinto Pereira pode escolher a forma como exerce a sua atividade política. Mas não pode esperar que os cascalenses aceitem, sem crítica, uma atuação que contribui para envenenar o debate público e descredibilizar as instituições.
A política de sarjeta tem de acabar, e tem de ser condenada pelas restantes forças políticas. Porque a política em Cascais tem de ser feita com a elevação e com a responsabilidade que os cascalenses merecem.
António Pinto Pereira é, na nossa perspectiva, um exemplo particularmente elucidativo desta última forma de estar.
A sua trajetória partidária, marcada por entradas, saídas, candidaturas por diferentes forças políticas e regressos a estruturas das quais anteriormente se afastou, suscita legítimas interrogações sobre a consistência dos princípios que orientam a sua intervenção política. Naturalmente, a forma como cada um se relaciona com a democracia interna dos partidos a que pertence é uma questão que lhe diz respeito. Mas não deixa de ser um indicador relevante quando se procura compreender a conceção que alguém tem da política e dos seus próprios objetivos.
Mas é na sua atuação nas redes sociais que António Pinto Pereira atinge, na nossa opinião, os níveis mais preocupantes de degradação do discurso político.
Aquilo a que temos assistido é uma verdadeira pocilga política. Um espaço onde a insinuação substitui o argumento, onde a suspeita se sobrepõe aos factos e onde o ataque pessoal parece constituir o principal instrumento de intervenção. Uma forma de fazer política que, infelizmente, desde que decidiu centrar a sua atividade em Cascais, passou também a contaminar o debate público no nosso concelho.
O episódio relacionado com a reportagem da SIC sobre um alegado esquema fraudulento envolvendo habitações acessíveis financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) é particularmente revelador.
Perante o anúncio de uma peça jornalística, que apenas dava nota de um esquema fraudulento envolvendo habitações de renda acessível na grande Lisboa, António Pinto Pereira não perdeu tempo. Lançou-se nas redes sociais, acusando a autarquia de Cascais de “trafulhas”, “máfia” e recorrendo a outras insinuações depreciativas, dirigidas à honra e ao caráter de quem governa e de quem trabalha na edilidade.
Tudo isto sem o cuidado elementar de conhecer devidamente os factos.
Posteriormente, a informação divulgada na reportagem permitiu perceber que a autarquia não tinha qualquer envolvimento no alegado esquema. Mais: o próprio mecanismo fraudulento assentaria numa promessa de venda de habitações que, por serem financiadas pelo PRR, não poderiam ser transacionadas nos termos anunciados pelos burlões.
Ou seja, uma situação que exigia prudência, rigor e responsabilidade foi transformada, precipitadamente por Pinto Pereira, numa oportunidade para atacar politicamente o município.
É precisamente aqui que reside a gravidade do comportamento.
Não estamos perante um cidadão anónimo que, num momento de indignação, se excedeu numa publicação. Estamos perante um advogado, professor universitário e antigo candidato à presidência da Câmara Municipal de Cascais. Alguém que, pela sua formação, experiência e posição pública, tem especiais responsabilidades na forma como comunica, interpreta os acontecimentos e contribui para o debate democrático.
Quem tem responsabilidades públicas não pode comportar-se como se a difamação política, a insinuação gratuita e o lançamento de lama fossem ferramentas legítimas de intervenção.
A liberdade de expressão é um dos pilares fundamentais da democracia. Mas não pode ser confundida com a liberdade de acusar sem conhecer, de insinuar sem provar ou de atacar reputações sem assumir as consequências. A crítica política é legítima, necessária e indispensável. O que não é aceitável é transformar essa crítica num exercício permanente de descredibilização pessoal.
Esta forma, recorrente, de estar na política, marcada pela calunia, pelos vídeos truncados, pela agressividade gratuita e pela leviandade na formulação de acusações, tem de ser denunciada.
António Pinto Pereira pode escolher a forma como exerce a sua atividade política. Mas não pode esperar que os cascalenses aceitem, sem crítica, uma atuação que contribui para envenenar o debate público e descredibilizar as instituições.
A política de sarjeta tem de acabar, e tem de ser condenada pelas restantes forças políticas. Porque a política em Cascais tem de ser feita com a elevação e com a responsabilidade que os cascalenses merecem.
