27/07/26

Não Se Deixe Enganar. Conheça os Factos da Venda dos Terrenos do Hilton da Parede.


Nas últimas semanas voltou a instalar-se uma enorme confusão em torno da venda dos chamados "terrenos do Hilton". A forma como este assunto tem sido apresentado em alguns espaços públicos e nas redes sociais tem levado muitos munícipes a formar uma ideia completamente errada sobre aquilo que verdadeiramente está em causa.

É precisamente por isso que importa recordar os factos.

Ao contrário do que tem sido insinuado, a polémica não diz respeito ao terreno onde está a ser construído o hotel. O terreno que motivou a controvérsia corresponde a uma parcela com apenas 830 metros quadrados, representando cerca de 5% da área total da operação urbanística.

Mais importante ainda, essa parcela não possui capacidade construtiva. Ou seja, nenhum metro quadrado do Hotel Hilton está a ser edificado nesse terreno, contrariando a ideia, repetidamente difundida, de que o município teria alienado o terreno onde se encontra implantado o empreendimento.

Também o valor da venda tem sido apresentado sem qualquer contexto. A realidade é que esta parcela foi alienada por um valor superior ao da avaliação realizada por peritos independentes, um facto frequentemente omitido nas narrativas que procuram lançar suspeitas sobre o processo.

Convém igualmente recordar que um investimento desta dimensão não se resume ao preço de aquisição de uma pequena parcela de terreno.

Além do investimento necessário para a aquisição dos vários terrenos e para a construção do hotel, o grupo promotor decidiu sujeitar todo o empreendimento a uma certificação ambiental, opção que representou um acréscimo de cerca de 20% no custo inicialmente previsto para a obra, precisamente para assegurar o cumprimento dos mais exigentes padrões ambientais.

A isso juntou-se ainda um contributo voluntário de aproximadamente 4,5 milhões de euros a uma universidade pública, assumido pelo grupo como uma expressão da sua política de responsabilidade social.

Importa igualmente recordar que este projeto esteve sujeito a um longo e exigente processo de licenciamento. O novo Hotel Hilton levou cerca de quinze anos até reunir todas as condições necessárias para avançar, tendo passado pelo escrutínio das entidades competentes e cumprido os procedimentos legalmente previstos.

Naturalmente, qualquer cidadão tem o direito de apresentar denúncias ou suscitar dúvidas sobre atos da Administração Pública. Esse é um direito fundamental num Estado de Direito.

Contudo, uma denúncia não constitui prova de ilegalidade, nem substitui as decisões das entidades competentes ou dos tribunais. Da mesma forma, a repetição constante de determinadas acusações não as transforma em factos.

O que verdadeiramente preocupa é que se continue a promover uma narrativa simplificada, omitindo elementos essenciais do processo e induzindo muitos cidadãos em erro. Quando se faz acreditar que foi vendido "o terreno do hotel", quando, na realidade, está em causa uma pequena parcela sem capacidade construtiva, cria-se uma percepção pública que não corresponde aos factos, e usa-se a justiça para fazer política.