03/07/26

Editorial: o "Dr. Chorão", Líder dos Ambientalistas de Ocasião, e as Suas Queixinhas Permanentes

Em democracia, todos têm o direito de contestar, de protestar e de fazer ouvir a sua voz. Mas também há uma diferença clara entre defender uma causa e transformar essa causa num instrumento de combate político permanente.

Em Cascais, alguns movimentos que se apresentam como defensores do ambiente, nomeadamente os chamados movimentos SOS, parecem ter escolhido o segundo caminho. Ainda esta semana voltaram a procurar protagonismo, levando as suas queixas ao Presidente da República, numa encenação que pouco acrescenta à resolução dos problemas concretos do concelho.

A estratégia é sempre a mesma: atacar, contestar, denunciar. O objetivo parece ser manter um clima permanente de conflito, independentemente dos factos ou das soluções em discussão. O ambiente acaba por servir de pretexto para uma agenda política que raramente apresenta propostas construtivas ou alternativas credíveis.

Se estes movimentos acreditam verdadeiramente que representam a vontade dos cascalenses, existe um caminho plenamente democrático para o demonstrar: apresentar-se a eleições. Em vez de viverem numa campanha permanente contra quem foi legitimamente eleito, poderiam submeter as suas ideias ao escrutínio popular, aceitando o resultado das urnas como qualquer outro agente político.

Mas essa é precisamente a prova que parecem evitar. Porque, eleição após eleição, Cascais tem sido claro. Os cascalenses têm dado uma resposta inequívoca nas urnas, renovando a confiança em projetos que conciliam desenvolvimento, qualidade de vida e sustentabilidade. Essa legitimidade democrática não pode ser ignorada nem substituída pelo ruído mediático ou pela contestação sistemática.

É também por isso que se torna cada vez mais evidente que estes movimentos representam uma minoria cada vez mais reduzida. São poucos os que continuam a seguir o "Dr. Chorão", que se assumiu como o rosto deste ambientalismo de ocasião, mais preocupado com o combate político do que com a construção de soluções para Cascais.

O ambiente merece ser defendido com seriedade, rigor e sentido de responsabilidade. Merece diálogo, propostas e compromisso. Não merece ser transformado numa bandeira de oposição permanente nem numa plataforma para protagonismos políticos.

A democracia oferece instrumentos para mudar políticas e conquistar maiorias. Quem acredita verdadeiramente nas suas ideias deve utilizá-los. Tudo o resto é apenas contestação pela contestação.