A associação Cascais Sea, liderada por Miguel Lacerda, histórico defensor dos oceanos e da biologia marinha no concelho, parece estar a viver uma nova fase na relação com a autarquia de Cascais.
Conhecido pelas inúmeras ações de limpeza costeira, sensibilização ambiental e defesa do património marítimo do concelho, Miguel Lacerda foi, durante anos, um dos mais duros críticos das políticas ambientais conduzidas pelo executivo liderado por Carlos Carreiras, em particular no período da então vereadora Joana Balsemão na área do ambiente.
As críticas da Cascais Sea tornaram-se, aliás, um dos símbolos mais utilizados pela oposição nas últimas eleições autárquicas. Durante a campanha, vários candidatos procuraram associar-se publicamente às ações promovidas por Miguel Lacerda, participando em limpezas de praias e gravando conteúdos ao lado do ativista, numa estratégia claramente orientada para o aproveitamento mediático e eleitoral da causa ambiental.
Contudo, o contexto atual parece bastante diferente. Segundo o próprio Miguel Lacerda, existe hoje uma mudança de paradigma na relação entre a Câmara Municipal e as entidades que atuam na proteção da costa e dos ecossistemas marinhos.
A nova liderança autárquica, agora assumida por Nuno Piteira Lopes, está a merecer reconhecimento público por parte do dirigente da Cascais Sea, sobretudo pela postura de diálogo institucional, proximidade e capacidade de articulação com as associações ambientais do concelho.
Ao contrário do que aconteceu em período eleitoral, este trabalho tem vindo a ser desenvolvido de forma discreta, consistente e sem qualquer exploração mediática ou tentativa de instrumentalização política das ações ambientais. A aproximação entre a autarquia e as entidades ligadas à defesa do mar tem sido construída longe das câmaras e das redes sociais, privilegiando o contacto direto, a cooperação operacional e a procura de soluções concretas para os problemas da costa de Cascais.
O responsável da Cascais Sea tem igualmente sublinhado a importância da abertura demonstrada pelo atual executivo no estabelecimento de pontes com organizações que trabalham diariamente no terreno, reconhecendo o valor do conhecimento técnico e da experiência acumulada por quem acompanha há anos a realidade ambiental do concelho.
Esta aproximação entre a Câmara Municipal e a Cascais Sea representa um sinal político relevante, sobretudo tendo em conta o histórico recente de forte tensão institucional. Mais do que uma simples mudança de tom, poderá traduzir uma nova abordagem à política ambiental local, baseada numa maior cooperação entre o poder autárquico e os movimentos cívicos ligados à defesa do mar.
Num concelho profundamente marcado pela sua ligação ao oceano, a capacidade de unir esforços entre instituições públicas e associações independentes poderá revelar-se determinante para enfrentar os desafios ambientais dos próximos anos.
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